Artigo compliance trabalhista

Compliance e o futuro do trabalho (parte 1)

Dentro do Comitê de Compliance do Instituto Brasileiro de Governança Trabalhista (IBGTr) temos debatido acerca de algumas questões relevantes para nossa área e tendências para os desafios que esse mundo cada vez mais ágil nos propõe.

Essa é a primeira pergunta e minha respectiva resposta como especialista no tema, buscando trazer um pouco da visão de gestão de negócios a um segmento que, por vezes, restringe-se a aspectos regulatórios.

Modelos de negócios peer-to-peer ou C2C têm sido cada vez mais comuns. AirBNB, BlaBlaCar e Mercado Livre são alguns exemplos de empresas que conectam diretamente as pontes interessadas no produto ou serviço graças à internet. Isso tem criado uma forte tendência nas empresas de utilização do staff on demand, ou seja, freelancers ou plataformas de serviços para terceirizar a mão-de-obra. Já não existe mais a mesma necessidade de ter os seus próprios empregados e, por consequência, a visão de compliance também deve ser ajustada. Em modelos de negócios C2C, quais podem ser as atribuições e responsabilidades do compliance?

O compliance tem como função dar suporte a uma empresa para que suas ferramentas de prevenção, detecção e resposta a riscos funcionem da forma mais eficaz possível. Isso não envolve somente um olhar para aspectos jurídicos, mas também para o funcionamento do negócio em si e sua respectiva gestão. Tradicionalmente, alguns dos principais desdobramentos do compliance são a criação das regras e políticas internas da organização a fim de orientar condutas, a disponibilização de um canal de comunicação que permita relatar fatos ilícitos dos quais se tenha conhecimento e uma boa análise de riscos que fundamente a implementação de um programa robusto.

Da mesma forma que é frequentemente dito que as capacidades do futuro são a empatia, o trabalho em grupo e a ação sobre dados incompletos, o compliance do futuro precisa ser mais ágil, mais próximo dos colaboradores e mais orgânico.

No entanto, com a aceleração das mudanças sociais, tecnológicas e econômicas, pensar no compliance somente sob essa perspectiva já não é mais suficiente. É cada vez mais difícil imaginar a realidade de uma organização daqui a alguns meses, e por isso o esforço para prever e sistematizar processos tem uma utilidade cada vez mais curta. Os planos têm uma validade menor e necessitam de constante atualização.

Sempre foi importante disseminar os princípios do compliance para todos os colaboradores, tornando-os agentes de transformação. Agora, esse papel de mudança cultural é ainda mais relevante e habilidades como o mapeamento de processos passam a dividir protagonismo com maiores exigências de treinamento efetivo e comunicação clara. Da mesma forma que é frequentemente dito que as capacidades do futuro são a empatia, o trabalho em grupo e a ação sobre dados incompletos, o compliance do futuro precisa ser mais ágil, mais próximo dos colaboradores e mais orgânico. Prevê-se um aumento da importância da criação de treinamentos diferenciados, experiências marcantes e conteúdos persuasivos, que sejam efetivamente interessantes e práticos.

E você, o que acha?

Autora: Letícia Sugai Rocha, especialista em compliance e gestão de riscos corporativos, sócia fundadora da Veritaz Consultoria, diretora do Instituto Paranaense de Compliance.

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